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Ana Afonso

Ana Afonso

Fotógrafa ANA.WeddingPhotography

Fotografia documental na Lombardia.

Os antecedentes, as peripécias.

Não imaginam os meses que antecederam a nossa viagem a Milão. Na realidade, percorremos algumas regiões da Lombardia mas, na minha cabeça, o destino era Milão. O objectivo era claro: fotografar a Marta e o Tiago em Milão, Verona e Malgrate. Íamos numa experiência de fotografia documental na Lombardia, um extenso trash the dress.

Se têm dúvidas se hão-de fazer este tipo de sessão, vejam o meu artigo Trash the dress: fazer ou não fazer?

Já se sabe que as peripécias foram mais que muitas: voo atrasado, carro alugado que nunca foi levantado devido ao atraso do voo, tentativa de apanhar um autocarro que não existia, apanhámos um táxi graças a um funcionário do aeroporto de Malpensa, chegámos ao apartamento às 3 e tal da manhã, dormimos muito pouco mas bem, andámos de metro, alugámos outro carro, (…). Peripécias tão boas que acrescentaram mais valor a esta experiência.

A experiência da fotografia documental.

Experiência. Era isto que eu queria, tanto para mim como para a Marta e para o Tiago. Principalmente para eles. Eu sabia que queria explorar muito a fotografia documental mas também sabia que não podia ir só com esse mindset.

Confesso que não pesquisei muito sobre Milão, Verona e Malgrate. Queria ser surpreendida pelo espírito do lugar, sabem? Pela energia das pessoas, pelo frenesim das movimentações, pelo inesperado e pelo desconhecido.

Piazza del Duomo e Galleria Vittorio Emanuele II.

Mesmo com as malas atrás de nós, e com toda aquela agitação da noite anterior, estar na Piazza del Duomo foi um turbilhão! A fachada de estilo gótico flamejante é o centro das atenções da praça. Pombos, milhares de etnias, culturas, línguas (!!) e selfies!

Fotografar na praça era para mim a oportunidade perfeita para fazer fotografia documental. Eu queria muito aproveitar os olhares indiscretos e os telemóveis das outras pessoas! Queria muito aproveitar os pombos! Aiii! Só de pensar, quero muito voltar! Aquele frenesim duplicou na Galleria Vittorio Emanuele II. Por ser um espaço mais confinado (e com uma luz incrível!), as pessoas eram completamente surpreendidas quando viam a Marta vestida de noiva.

noivos na praça de milão

Navigli.

Depois dos olhares indiscretos na galeria e na Piazza del Duomo, fomos para Navigli. A mesma energia, uma multidão e um sol fantástico! O caminho entre a saída do metro até ao tasco onde almoçámos foi um festim de raios laser que saíam dos olhos das pessoas enquanto a Marta passava! E eu com a máquina na mala!

Depois das pizzas, dos panzerottos e outros coisas mais que não me recordo do nome, peguei na máquina e comecei a fotografar novamente. A dinâmica continuava a ser a mesma: olhares indiscretos, sorrisos, Auguri!, (…) até que dei de caras com umas cadeiras à porta de um barbeiro. Pedi à Marta e ao Tiago para se sentarem (aqui não há fotografia documental, obviamente) e pedi ao meu Nuno para passar. Olho para a Marta e vejo-a a rir e aquele momento consigo prever um expressão que eu acho que é muito Marta! Uma expressão verdadeira, de diversão (!!) mas simultaneamente de contenção.

De volta ao metro, a mesma dinâmica… e um chinês à janela do restaurante com o telemóvel a tirar uma fotografia! AHHHHHHH ADORO! Para além do nosso aeroporto e do aeroporto de Milão, acho que foi aqui que começei a ficar mais alerta para a “importância” do covid-19. À porta deste restaurante estava uma ardósia que dizia “Somos um restaurante de comida chinesa mas não temos coronavirus. Pode entrar e falar connosco. Oferecemos o café.”

fotografia noivos sentados à porta de uma barbearia

Mini maratona de Verona: a fotografia documental.

Conseguimos alugar um novo carro e fomos para Verona. Verona, cidade de Romeu e Julieta, a parada estava alta e eu senti que existia a possibilidade de eu não conseguir corresponder com as expectativas. Estava muito desgastada fisicamente mas tinha muitas borboletas de volta de mim. Verona foi talvez um dos locais a visitar mais pensados, mais estruturados. Mais planeada.

A casa foi pensada ate ao último pormenor: junto ao rio, com vista para o castelo, mesmo no centro. De manhã, fizemos algumas fotografias em casa a um ritmo avassalador. Estávamos em contra-relógio e ainda não havia sinal de pequeno almoço. Tínhamos que fazer check-out, por isso tinhamos horários para cumprir.

Todas as manhãs a Marta foi maquilhada pela Lília, da Makeup’s Place. O ritmo era alucinante! Acordar às 7h, higiene pessoal de 6 pessoas, maquilhagem e cabelo, vestir (!!); e nisto eu ia fazendo fotografia documental.

Check-out feito, percorremos meia Verona para encontrar algum sítio para tomarmos o pequeno-almoço. Estava a de(correr) algum evento mas não sabíamos qual. Parecia uma espécie de corrida… sem sabermos, consegui meter a Marta e o Thiago a correr em cima da Ponte Nuovo. Acho que eles deram a falsa partida da Giulietta & Romeo Half Marathon 2020 sem saberem!

Pequeno-almoço tomado, baterias carregadas e o verdadeiro impacto da meia maratona de Verona sobre nós! Aqui sim! Foi 90% documental! Senti-me como uma criança à procura das melhores gomas! Eu estava sempre à procura! Auguri! Auguri! Auguri agli Sposi! A Maratona decorria e os participantes interagiam com a Marta e o Tiago! Aaaaahhhhh aquilo foi ouro sobre azul para mim!

Depois da meia maratona, veio a dança na Piazza del Erbe. Chegámos à praça e eu ouvia uma música de fundo. Quando dei conta, estava alguém a cantar ao vivo. Que oportunidade!! A menina que estava a cantar rapidamente trocou a música quando percebeu que tinha à sua frente dois noivos.

Dança feita, e três passsos à frente, portugueses! Estamos em todo o lado! E a senhora que agarrou a Marta pelo braço deu um grito histérico que ecoou até à Arena di Verona. Estávamos quase a entrar no mar de gente que estava em frente da Casa di Giulietta. Dentro do páteo, a Marta e o Tiago foram tocar no seio da estátua da Julieta. Reza a lenda que todos os visitantes que tocarem no seio direito da Julieta, terão boa sorte na vida e no amor.

E este momento foi tão bonito! Mais uma vez ouvia-se Auguri! Auguri! e as palmas faziam eco no páteo da Casa di Julieta. Ainda bem que o meu Nuno foi connosco e filmou este momento.

fotografia documental da meia-maratona de verona durante a corrida

Malgrate.

Partimos para o Lago di como, para Malgrate, para um dos sítios mais arrebatadores onde já estive. Cansados, ainda tirámos fotografias com as famosas máscaras que tanto sucesso fizeram! Estávamos todos, sem excepção, com o corpo para lá da alma.

De manhã, acordámos com o Monte Resegone a olhar para nós. Verdinho e com neve bem lá no alto. As nuvens cobriam grande parte do céu mas deixavam passar uma luz tão bonita, uma luz de acalmia. Aqui saí da minha zona de conforto. A Marta e o Tiago estavam debaixo dos lençóis e felizes! Adorei fotografá-los neste registo mas fiquei doida (!!) com as fotografias que tirei através do vidro.

fotografia de casal namorados embrulhados num lençol aos beijos

Vontade de mais!

A verdade é que sinto falta da nossa viagem de três dias. Quero tanto voltar. Fomos com um objectivo muito próprio e conseguimos cumpri-lo. Mesmo com contra-tempos no início, penso que não teria sido uma viagem tão arrebatadora, porque fizeram com que esta viagem fosse assim: fugaz, cativante, deixou-nos com vontade de mais!

De três dias, resultaram 579 fotografias finais. Deixo-vos uma compilação da nossa viagem que soube a tanto (!!) mas que continua a saber a tão pouco. Tenho muitas saudades destes dias. Espero que gostem!

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